Embarcações Lagunares -II PARTE - BATEIRAS
2-3 Outras
É perfeitamente entendível que todas as bateiras, poderiam, numa ou outra ocasião, ser utilizadas para apanha e transporte de ervagens, como nos sugere a foto abaixo («caçadeira»).
«caçadeira» nas ervagens
Contudo houve tipos de embarcações específicas para tal utilização:
2--3-1 – A Chata ou Patacha.
Embarcação muito simples, rudimentar, provavelmente das primeiras a atravessar os rios, muito antes da formação da laguna. De extremidades aguçadas, fusiforme, com uma bancada a meio que fixava a curvatura da tábua do costado, era movida exclusivamente à vara. Servia especificamente para travessia de rios ou na pateira. A sua utilização desceu até Canelas, Salreu e arredores.
As suas características são muito variáveis, mas podemos referir como tamanho mais utilizado, o seguinte:
comp. 4,40 m(muito variável)
pontal -0,30m ( ‘’ )
boca – 1,40 m ( ‘’ )
cavernas – 9 a 11.
deslocação – cerca de 400 Kg.
Um «chata»
2-3-2 – A«ladra»
Trata-se de uma pequena bateira semelhante ao tipo esguicha, de bicas dobradas para o interior, proa e ré similares, sem castelo de proa, movendo-se exclusivamente à vara, tendo todo o exterior embreado.
Era executada em madeira muito fina e leve, o que lhe permitia uma excelente mobilidade.
Vinha rebocada pelos moliceiros «matolas». E de noite, silenciosamente, à vara, com ela faziam-se surtidas às terras ribeirinhas.
Tinha uma boca excessiva, por isso parecendo muito gorda, comparada com a finura dos bicos da proa e ré. Mestre Pires recorda que, rapazito, veio varias vezes reparar algumas, à Malhada, em Ílhavo.
A«Ladra»
Destinava-se ao transporte de ervagens e animais. Dada a sua côr negra, e ao facto de apenas se mover muito silenciosamente, à vara, era usada para fins furtivos. Daí advém a sua designação.Oriunda do Canal de Mira, chegou a ser utilizada no Canal de Ovar, esporadicamente, ou nos veiros estreitos a recolher ervagens.
Características
comp – 4,25 m
boca – 1,25 m
pontal – 0,40 m
nº de cavernas – 8
Interior da «ladra»
As linhas muito simples e empíricas, rústicas, quase artesanais, parecem querer significar que este tipo de bateira, derivada (?) da «esguicha», é muito provável, ser, também, uma das embarcações pioneiras lagunares.
2-4 – A «bateira marinhoa»
Aparece citada por Lamy Laranjeira. Procurámos elucidar-nos, mas certo é que ninguém se recorda ou consegue identificar a referida embarcação..
Ora lendo atentamente José de Castro deparamo-nos com uma foto que classifica como «marinhoa».
Vejamos a mesma
:
«marinhoa» grav. nº 163 ( seg.José de Castro)
Lamy Laranjeira esboça mesmo um alçado. A curvatura da roda da popa (ré na gíria) foge totalmente ás linhas lagunares.
Podemos no mínimo dizer: a embarcação de Castro é uma «caçadeira» (7m?). Isso é evidente. A de Lamy é uma embarcação de «bica»(sem castelo?).
A haver um tipo de embarcação erveira, designada por «marinhoa», não será difícil concluir que ela terá nascido no que habitualmente se chama a zona das marinhas, entre Estarreja e Murtosa. Terá sido(?)pois, uma bateira local (não um tipo).
Preferimos deixar em aberto e esclarecer ainda melhor, tentar encontrar referências.
Isto é pois o que numa visita muita rápida, tipo guião de algo que talvez mereça ser trabalhado, nos apraz de momento referir. Pode assim ser corrigido ou alterado, o que fomos repentinamente obrigados a elaborar, se assim o entendermos,produto de uma informação complementar.
(CONT)



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